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Onde estão os números na fatura, e o que eles significam.

Última atualização: 30 de julho de 2026

Qual é o “mês de referência”?

É o mês do consumo, e vem impresso no alto da fatura, geralmente como “referência” ou “mês/ano”. Não confunda com o vencimento: uma conta com referência maio/2026 costuma vencer em junho.

Essa distinção não é detalhe. A bandeira cobrada é a do mês de referência, e conferir pelo mês do vencimento é a causa mais comum de alguém achar que a bandeira está errada quando está certa.

Onde acho o consumo em kWh?

Na parte de faturamento, na linha “Consumo” ou “Energia elétrica”, com a unidade kWh. É a quantidade faturada naquele período — não o valor em reais e não a média do histórico.

Por que a tarifa da minha fatura é maior que a de vocês?

Porque são grandezas diferentes com o mesmo nome. A ANEEL homologa a tarifa sem tributos. A que aparece em destaque na fatura já vem com ICMS e PIS/Cofins embutidos, e por isso é maior — normalmente algo entre 5% e 60% acima, dependendo do estado e da faixa de consumo.

Muitas faturas trazem as duas colunas, lado a lado: “tarifa” e “tarifa com tributos”. Você pode informar qualquer uma das duas no campo opcional. O app calcula a diferença e diz se ela tem tamanho de tributo — em vez de acusar excesso, que é o que uma comparação crua faria em quase toda conta correta.

O que é a bandeira tarifária?

É um adicional por kWh que a ANEEL aciona todo mês conforme o custo de gerar energia no país. Vale para o Brasil inteiro, igual para todas as distribuidoras. Desde 2015 já foram acionadas cinco:

  • VerdeCondições favoráveis de geração. Nada é somado à conta.
  • AmarelaCondições menos favoráveis. Há um adicional por kWh consumido.
  • Vermelha P1Condições mais custosas de geração, no primeiro patamar.
  • Vermelha P2O segundo patamar da vermelha, com adicional maior.
  • Escassez HídricaBandeira extraordinária, acionada entre setembro de 2021 e abril de 2022.

O adicional de cada bandeira também muda ao longo do tempo. O app usa o valor que valia naquela competência, não o de hoje — conferir uma conta antiga com o adicional atual produziria uma diferença inventada.

Por que às vezes o resultado é um intervalo?

Porque a vigência da tarifa começa numa data qualquer do mês: só 16,6% delas começam no dia 1º. Quando a mudança cai dentro do seu mês de referência, a distribuidora cobra as duas tarifas rateadas pelos dias do período de leitura, e sem saber esse período o valor exato fica entre dois números.

A solução está na própria fatura: informe a leitura anterior e a leitura atual nos campos opcionais, e o app rateia por dias e fecha num valor.

Existe um segundo caso, mais raro, em que nem isso resolve: quando a ANEEL publica duas resoluções sobrepostas para os mesmos dias — o que acontece quando uma delas passa a valer com efeito retroativo e a anterior permanece no arquivo. Aí a ambiguidade é da fonte, e o app mostra as duas resoluções em vez de escolher uma.

O app confere a conta inteira?

Não, e isso é deliberado. Ele confere duas linhas; as outras dependem de regras que não existem em base nacional:

  • Consumo × tarifa homologada (TUSD + TE)✓ o app confere. A tarifa é fixada por resolução da ANEEL, vale para todo mundo na área da distribuidora e é pública. Ninguém a decora, e é por isso que ela passa despercebida.
  • Consumo × adicional da bandeira tarifária✓ o app confere. A bandeira muda todo mês e quase ninguém lembra qual valeu em qual mês. A ANEEL publica a série completa desde 2015, sem buraco nenhum.
  • ICMS✗ fora do alcance. A alíquota é definida por cada estado e muda também por faixa de consumo. A ANEEL não publica esse mapa, e montá-lo aqui seria assumir a responsabilidade de 27 legislações que mudam todo ano.
  • PIS e Cofins✗ fora do alcance. A alíquota efetiva sai do regime não cumulativo da distribuidora e muda de mês para mês. Não é um percentual fixo que dê para conferir de fora.
  • Contribuição de iluminação pública (COSIP/CIP)✗ fora do alcance. Cada município define a sua, em geral por faixa de consumo. Não existe base nacional, e a ANEEL não tem nenhum conjunto de dados sobre isso.
  • Desconto de tarifa social✗ fora do alcance. Depende de cadastro individual em base de assistência social. É dado pessoal sensível, e o app não pede nem trata esse tipo de informação.

Se a tarifa e a bandeira baterem, o que você sabe é que a energia está certa. A conta inteira envolve imposto e iluminação pública, que o app quantifica em bloco e não abre.

Encontrei uma diferença. E agora?

Antes de tudo, confira o mês de referência e o recorte: o app confere B1 residencial na modalidade convencional. Tarifa branca, classe rural e unidades com geração própria em compensação pagam por outro recorte, e o número daqui não é o delas.

Se a diferença persistir, o caminho é:

  • Pedir a memória de cálculo à distribuidora, pelos canais de atendimento. Você tem direito ao detalhamento da fatura.
  • Registrar reclamação na ouvidoria da distribuidora, se o atendimento não resolver, guardando o número de protocolo.
  • Levar à ANEEL, que é a agência reguladora do setor, se a ouvidoria também não resolver.

Leve a página do resultado impressa: ela traz a resolução homologatória e a vigência, que é exatamente o que dá base à pergunta. O app não abre reclamação nem representa você — ele mostra o dado oficial para você ter o que perguntar.

De onde vêm os dados?

Dos conjuntos de dados abertos da ANEEL: tarifas homologadas das distribuidoras (com histórico desde 2015, por vigência) e bandeiras tarifárias (a bandeira acionada em cada competência, série completa e sem falhas desde janeiro de 2015). São dados públicos, sem chave de acesso e sem raspagem.

O conteúdo desta página foi conferido em 30/07/2026. Detalhes de método estão na página de dados abertos da ANEEL.

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